No competitivo setor de transporte de cargas, a busca pela maximização do lucro muitas vezes leva a uma armadilha perigosa: o excesso de peso, um dos principais “vilões” da vida útil de um caminhão, pois submete todos os sistemas mecânicos a um esforço superior ao que foi projetado para suportar. Apesar de a ideia de “aproveitar a viagem” parecer lucrativa a curto prazo, a realidade matemática e mecânica revela um cenário oposto. O sobrepeso não é apenas uma infração de trânsito; é um acelerador de custos operacionais e um risco crítico à segurança viária. “Ao operar com o caminhão acima de sua capacidade máxima de tração, as peças são levadas ao limite do estresse material. Para o frotista, isso se traduz em um ciclo vicioso de manutenção corretiva”, adverte Leandro Leite, coordenador de Assistência Técnica da Nakata.
Peças que sofrem com o sobrepeso – Um dos sistemas mais prejudicados pelo excesso de carga é o de suspensão. “As molas podem perder a arqueação, apresentar trincas e até quebrar. Outras peças periféricas também sofrem maior desgaste. Além disso, o calor gerado pelo trabalho excessivo pode degradar o fluido interno do amortecedor e romper os retentores, ocasionando vazamentos”, comenta.
O sistema de freio também fica sobrecarregado, pois precisa converter mais energia cinética em calor para a parada do veículo. “Lonas e pastilhas têm maior desgaste, tambores e discos podem sofrer deformações térmicas, empenando ou criando microfissuras, e o fluido de freio pode superaquecer, levando à ebulição, com formação de bolhas de ar e perda de eficiência”, afirma o especialista.
Nada é poupado: o excesso de peso também afeta o sistema de transmissão, provocando danos à embreagem, às engrenagens do diferencial e às cruzetas do cardan, além do motor, que passa a trabalhar em rotações e temperaturas mais altas, acelerando a degradação do óleo lubrificante e o desgaste de anéis e bronzinas; e do chassi, que pode sofrer empenamento das longarinas”, explica. Ocasiona ainda desgaste prematuro dos pneus e até estouros devido ao superaquecimento.
Mais gastos e menos segurança – Segundo Leite, a questão vai muito além dos prejuízos financeiros com a manutenção corretiva. O excesso de carga altera o centro de gravidade do veículo, aumentando a distância de frenagem e elevando o risco de acidentes, inclusive tombamentos em curvas.
Estratégias de mitigação para frotistas – Para garantir a lucratividade da empresa e a segurança nas estradas, o especialista recomenda ficar atento à pesagem rigorosa na origem, implementando, inclusive, protocolos de conferência no carregamento; à conscientização de toda a equipe sobre a importância da distribuição adequada da carga e do peso; e ao monitoramento por telemetria.
