Manutenção preventiva ainda é negligenciada e aumenta riscos e gastos com o carro

Elias dos Santos Amado

Ruídos ignorados, revisões adiadas e a falsa sensação de que “o carro está funcionando bem” ainda fazem parte da rotina de muitos motoristas. O problema é que esse comportamento está diretamente ligado ao surgimento de falhas graves, panes inesperadas e custos elevados com consertos emergenciais. Na maioria dos casos, os problemas não surgem de forma repentina, mas são consequência direta da falta de manutenção preventiva adequada.

Esse comportamento é reforçado por dados recentes do setor. Uma pesquisa apurada pela Webmotors mostra que, mesmo afirmando manter a manutenção em dia, 54% dos motoristas só decide levar o carro para revisão quando percebem um barulho estranho ou algum comportamento fora do normal. Ou seja, a ação preventiva acaba sendo substituída por uma resposta tardia ao problema.

Para Elias dos Santos, mecânico de manutenção industrial com 19 anos de atuação em montadoras de automóveis, a prevenção ainda é subestimada pelos motoristas. “Grande parte das falhas mecânicas não acontece de uma hora para outra. Elas se desenvolvem aos poucos e dão sinais claros, mas só são percebidas quando o dano já está instalado”, explica.

Na prática, muitos condutores procuram a oficina apenas quando o veículo apresenta um problema evidente. Esse modelo corretivo, além de mais caro, aumenta o risco de acidentes, compromete a confiabilidade do carro e reduz sua vida útil. “A manutenção preventiva não é trocar peça quebrada. É evitar que ela quebre”, destaca.

Ele informa que a manutenção preventiva vai além do calendário de revisões e dos checklists padronizados. Diferente da revisão anual, baseada em prazos fixos de tempo ou quilometragem, ela considera o comportamento real do veículo, o tipo de uso, as condições de rodagem e os sinais apresentados no dia a dia. Essa abordagem permite identificar desgastes de forma antecipada, reduz custos, melhora o desempenho do carro e garante mais segurança ao motorista, especialmente em viagens e períodos de uso intenso.

Segundo o especialista, existem indícios comuns de que o carro precisa de atenção e que costumam ser ignorados no dia a dia, mas que indicam desgaste progressivo:

  • Ruídos diferentes do habitual
  • Vibrações fora do padrão
  • Resposta mais lenta do motor
  • Aumento no consumo de combustível
  • Luzes de alerta no painel

“Quando esses alertas são negligenciados, o que poderia ser resolvido com um ajuste simples acaba se transformando em uma falha grave, com impacto direto no bolso e na segurança do motorista”, afirma.

Sobre Elias dos Santos Amado

Elias dos Santos Amado é tecnólogo em Fabricação Mecânica, formado pela Faculdade de Tecnologia Roberto Mange (FATEC/SENAI), com mais de 19 anos de atuação em montadora de automóveis e 4 anos e meio de experiência direta como mecânico de manutenção industrial. Atua na Honda Automóveis do Brasil, onde é responsável por manutenções preventivas e corretivas, garantindo eficiência operacional, segurança e conformidade com padrões de qualidade. Possui sólida experiência em gestão de manutenção, diagnóstico de falhas, relacionamento com fornecedores e cumprimento rigoroso de normas técnicas e de segurança, aliando visão prática, organização e compromisso com a excelência industrial.

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