Com uma das maiores frotas de blindados do mundo, o Brasil conta com quase 400 mil carros equipados com esse tipo de proteção, segundo a Associação Brasileira de Blindagem. Ainda de acordo com a Abrablin, esse número segue crescendo ano a ano, com a incorporação cada vez maior de carros elétricos à frota de veículos protegidos pelas blindadoras.
Blindagem sobrecarrega componentes do carro
Embora ofereça proteção contra disparos de arma de fogo e até mesmo explosivos, o que aparentemente torna um veículo blindado indestrutível, o peso extra da blindagem acelera o desgaste dos componentes do carro. Sendo assim, partes como a suspensão e o motor, por exemplo, precisam de um cuidado especial em cada revisão.
Cuidado extra com a suspensão
Logo, manter um cronograma rigoroso de manutenção preventiva é fundamental para o bom funcionamento do blindado, principalmente no que tange à estrutura. Com quase 200 kg adicionados, amortecedores, molas, buchas e bandejas sofrem cerca de 30% mais desgaste que um carro convencional.
Por conta disso, é importante se atentar à troca desses componentes no tempo correto. E, caso se perceba qualquer comportamento diferente em relação à estabilidade na direção, é preciso ter ainda mais cuidado. Recomenda-se que os componentes da suspensão sejam revisados a cada seis meses.
O peso adicional também altera o centro de gravidade do veículo, ponto em que todo o peso do carro está mais concentrado, alterando dirigibilidade, aceleração e frenagem. Desta forma, é preciso ter mais cuidado no alinhamento e no balanceamento da suspensão, para garantir boa performance e minimizar o desgaste em pneus e o risco de perder o controle em velocidade.
Pneus duram menos nos blindados
Os pneus devem ser trocados mais cedo do que em um carro não-blindado. A pressão deve ser aferida com maior frequência também. No mais, deve-se conduzir com cautela, evitando buracos e passando na diagonal sobre valetas e lombadas, para evitar um efeito nocivo para a carroceria.
Se os pneus possuírem proteção balística, esse cuidado deve ser redobrado. Já os freios também recebem uma carga maior de esforço e não podem ser negligenciados. Por ser um item de segurança, deve ser verificado com frequência.
Vidros blindados também têm validade
Os próprios itens da blindagem também devem passar por revisão. Os vidros, por serem mais pesados, também sobrecarregam o motor responsável por sua abertura e seu fechamento. Por isso, trocá-lo por um mais potente pode ser interessante.
Com o tempo, é comum que sofram delaminação ou apareçam bolhas. Neste caso, não há conserto. De acordo com a Portaria nº 55 do Comando Logístico do Exército, de 2017, é exigida a troca da peça toda. E, para um maior tempo de vida, é importante limpá-los com produtos específicos e tomar cuidado no fechamento e no bater de portas.
Além disso, não é recomendado deixar o carro estacionado sob o sol, pois a temperatura prejudica a blindagem do vidro, nem se deve baixar o vidro completamente, devido ao peso, além de também não poder fechar a porta com ele entreaberto, por risco de trincas.
No mais, cumprir corretamente com o cronograma de revisões proposto pela blindadora é essencial para garantir a segurança e evitar problemas. Vale lembrar que toda oficina ou blindadora deve contar com certificação do Exército brasileiro para funcionar.
