A correta instalação dos amortecedores é determinante para a segurança, o conforto e a durabilidade do sistema de suspensão. Protagonista desse conjunto, o componente é responsável por absorver os impactos das vias, muitas vezes irregulares, controlar as oscilações da mola e manter os pneus em contato permanente com o solo. Por isso, merece atenção redobrada na oficina. “A instalação correta assegura a durabilidade dos amortecedores e evita a perda de garantia do produto, além de garantir um serviço de qualidade”, destaca Leandro Leite, coordenador de Assistência Técnica da Nakata.
Identificação da peça – Antes de iniciar a montagem, Leite reforça que é fundamental confirmar se a peça é específica para o modelo do veículo, verificando a etiqueta da embalagem e, se necessário, o catálogo.
Procedimento fundamental que não pode ser esquecido – A etapa essencial do serviço é o escorvamento (ou equalização) do amortecedor novo, procedimento que retira o ar do tubo interno e o deixa completamente preenchido por fluido, evitando incômodos no final de curso de abertura da suspensão, como ruídos. “Para realizar o escorvamento, é preciso movimentar a haste em todo o seu curso por cerca de cinco vezes ou até perceber que o deslocamento está uniforme, sem vazios. Depois disso, o amortecedor deve permanecer na posição de trabalho, evitando deixá-lo na posição horizontal”, orienta o coordenador.
Práticas inadequadas que podem comprometer os amortecedores novos durante a instalação – Outra situação que não pode ocorrer é travar a haste do amortecedor com alicate de pressão para aperto ou soltura da porca da haste. Essa prática risca a haste e, com o movimento de sobe e desce, danifica o sistema de vedação, ocasionando vazamento de óleo e, consequentemente, a perda da garantia do produto. A recomendação da Nakata é utilizar sempre ferramentas apropriadas para travar a haste e aplicar o torque na porca, seguindo as especificações do fabricante do veículo.
Para amortecedores que utilizam olhal, não é recomendável apertar as fixações com a suspensão totalmente estendida, pois isso pode provocar carga lateral indevida ou danos às buchas. O procedimento correto é apoiar a roda no solo ou utilizar um cavalete, de forma a retirar a carga da mola durante o aperto final. Dessa maneira, é possível evitar deformações e garantir maior vida útil do conjunto.
Cuidados importantes envolvem as peças periféricas – Entre os problemas mais frequentes na hora da troca dos amortecedores está a não substituição do kit do amortecedor, composto por batente, coifa e coxim. “O batente atua como uma segunda mola, evitando batidas em fim de curso com a suspensão fechada; a coifa protege a haste e os vedadores contra contaminantes e abrasivos; e o coxim faz a ligação da suspensão com a carroceria. O coxim é um importante item para isolar e evitar que ruídos e trepidações sejam transmitidos para a carroceria”, explica Leite, lembrando que a troca conjunta garante melhor desempenho e reduz o risco de retorno do veículo à oficina.
Leite ressalta, ainda, a necessidade de inspeção completa das demais peças do conjunto de suspensão. Para que o novo amortecedor entregue todo o rendimento esperado, componentes como mola, bieleta, suporte da barra tensora, bandeja e pivô devem estar em boas condições. “Quando comprometidos, esses itens geram ruídos, perda de estabilidade e desgaste prematuro dos pneus”, alerta. Nessas situações, é recomendada a substituição dos componentes danificados, alinhada às boas práticas de manutenção preventiva.
Com a adoção dessas boas práticas na aplicação, o reparador assegura um serviço mais confiável, reduz o risco de retrabalho na oficina e contribui diretamente para a segurança e o conforto dos ocupantes do veículo.
